Fórum Nacional da Indústria reuniu lideranças em São Paulo para discutir mecanismos contra concorrência desleal e medidas para aumentar a competitividade da indústria brasileira
A indústria brasileira quer mecanismos mais rápidos e eficientes para enfrentar práticas de concorrência desleal e proteger quem produz no país — uma discussão que também alcança a cadeia da panificação e confeitaria. O tema foi debatido nesta sexta-feira (28), em São Paulo, durante reunião do Fórum Nacional da Indústria (FNI), que contou com a participação do presidente da Abip, Alex Martins, e de lideranças de diferentes segmentos industriais.
A discussão envolve um desafio que vai além das grandes indústrias: como garantir condições mais equilibradas de concorrência para empresas brasileiras diante do avanço das importações e de práticas consideradas desleais?
Promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o encontro teve como principal pauta o fortalecimento dos mecanismos de defesa comercial e a adoção de estratégias mais efetivas para proteger a indústria doméstica.
Durante a reunião, foram apresentadas propostas para modernizar instrumentos de defesa comercial, fortalecer o monitoramento de importações, dar mais agilidade aos processos e ampliar a utilização desses mecanismos por pequenas e médias empresas e setores mais fragmentados.
Um desafio para a competitividade brasileira
A defesa comercial é considerada um dos pilares do comércio justo e ganha relevância diante do cenário da indústria de transformação brasileira.
De acordo com dados apresentados pela CNI durante o encontro, a indústria de transformação registrou déficit de US$ 38,2 bilhões no primeiro semestre de 2026, o maior já registrado para um primeiro semestre.
A gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, destacou que, embora o Brasil utilize instrumentos como o antidumping, outras ferramentas de defesa comercial ainda são pouco exploradas pelo país.
Desde 1995, por exemplo, o Brasil aplicou apenas duas medidas de salvaguardas, sendo a mais recente em 2022. No caso das medidas compensatórias, foram 12 aplicações desde o mesmo período.
O antidumping, utilizado quando produtos são comercializados no mercado brasileiro por preços inferiores aos praticados no país de origem, é atualmente o principal instrumento de defesa comercial utilizado pelo Brasil.
Apesar disso, o mecanismo enfrenta desafios operacionais. Segundo os dados apresentados no fórum, o prazo de análise dos processos passou de 88 dias para mais de 220 dias, enquanto a utilização de direitos provisórios permanece baixa.
O que pode mudar?
Para enfrentar esses entraves, a CNI apresentou recomendações que podem ser incorporadas ao Projeto de Lei nº 4.133/2023, que trata do marco legal permanente da política industrial.
Entre as propostas estão a modernização das salvaguardas, o fortalecimento dos mecanismos de anticircunvenção, o aumento da segurança jurídica e da previsibilidade nos processos e a revisão do decreto antidumping.
Também foram apresentadas medidas relacionadas à governança, como o fortalecimento da estrutura do Departamento de Defesa Comercial (DECOM), o restabelecimento de um sistema de monitoramento de importações e o rigor técnico das deliberações da Câmara de Comércio Exterior (Camex).
Outra recomendação é ampliar o acesso aos instrumentos de defesa comercial para pequenas e médias empresas e setores mais fragmentados.
Por que isso importa para a panificação e a confeitaria?
A indústria de panificação e confeitaria faz parte de uma cadeia produtiva ampla, conectada a diferentes segmentos da indústria brasileira. Por isso, decisões relacionadas ao ambiente de negócios, às importações, à competitividade e às regras de concorrência podem repercutir diretamente sobre empresas de diferentes portes.
Para a Abip, participar desses espaços significa levar a perspectiva da panificação e da confeitaria para discussões estratégicas que ultrapassam os limites do próprio setor.
A presença do presidente Alex Martins no Fórum Nacional da Indústria reforça a atuação da entidade em agendas que impactam a competitividade da indústria brasileira e o ambiente de negócios para os empreendedores do setor.
“Representar a panificação e a confeitaria também significa estar presente nos debates que ajudam a definir os caminhos da indústria brasileira.”
Indústria e inovação
Além da defesa comercial, a reunião do Fórum Nacional da Indústria também colocou a inovação no centro da agenda.
Durante o encontro, foi apresentado o projeto do Instituto Integrador para Inovação Industrial, complexo de inovação que está sendo construído na região de Alphaville, a cerca de 30 quilômetros de Brasília.
A proposta reúne laboratórios de tecnologia, espaços de networking e um museu dedicado à indústria brasileira, com o objetivo de inspirar, conectar e projetar novos caminhos para o desenvolvimento industrial.
A iniciativa reforça outro ponto presente na agenda do FNI: a necessidade de combinar competitividade, inovação e visão de longo prazo para fortalecer a indústria brasileira.
Abip presente nos grandes debates da indústria
A participação da Abip em fóruns nacionais como esse amplia a presença da panificação e da confeitaria nas discussões que definem políticas e estratégias para a indústria brasileira.
Mais do que acompanhar as transformações do ambiente econômico, a entidade busca estar onde essas decisões são discutidas, levando a voz e os interesses de um setor presente em todo o país.
Defender a indústria também é discutir competitividade, equilíbrio e futuro.






































































































