{"id":33702,"date":"2022-03-03T16:15:16","date_gmt":"2022-03-03T18:15:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.abip.org.br\/site\/?p=33702"},"modified":"2022-03-04T12:00:05","modified_gmt":"2022-03-04T14:00:05","slug":"33702-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abip.org.br\/site\/33702-2\/","title":{"rendered":"Quem quer p\u00e3o? Setor de panifica\u00e7\u00e3o movimenta R$ 105 bilh\u00f5es por ano no Brasil"},"content":{"rendered":"<div><span style=\"color: #ff0000;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-33703 size-full\" src=\"https:\/\/www.abip.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Captura-de-Tela-2022-03-04-a\u0300s-05.07.40.png\" alt=\"\" width=\"670\" height=\"446\" srcset=\"https:\/\/www.abip.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Captura-de-Tela-2022-03-04-a\u0300s-05.07.40.png 670w, https:\/\/www.abip.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Captura-de-Tela-2022-03-04-a\u0300s-05.07.40-300x200.png 300w\" sizes=\"(max-width: 670px) 100vw, 670px\" \/><br \/>\n<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p>P\u00e3o franc\u00eas, p\u00e3o de sal, p\u00e3o de \u00e1gua, carioquinha, p\u00e3o de trigo e at\u00e9 p\u00e3o \u201ccareca\u201d. S\u00e3o in\u00fameros os nomes encontrados Brasil afora s\u00f3 para um tipo de p\u00e3o \u2013 aquele vendido diariamente em padarias espalhadas pelo pa\u00eds. Quem os v\u00ea hoje t\u00e3o fofinhos, com casquinhas crocantes e miolos macios nem imagina que as primeiras receitas, l\u00e1 de 12.000 a.C., n\u00e3o tinham nada disso.<\/p>\n<p>Diz a hist\u00f3ria que, naquela \u00e9poca, os p\u00e3es eram feitos misturando a rec\u00e9m-criada farinha de trigo com bolota, um fruto do carvalho. A massa, ent\u00e3o, era lavada em \u00e1gua fervente in\u00fameras vezes e assada na pedra quente ou sob as cinzas. O resultado era um p\u00e3o seco, achatado e com sabor bastante amargo.<\/p>\n<p>Mas, para a nossa sorte, a receita evoluiu junto com a sociedade. Primeiro veio o forno, depois o fermento e, enfim, as padarias. Acredita-se que, no Imp\u00e9rio Romano, havia cerca de 400 padarias e at\u00e9 escolas para ensinar a fazer p\u00e3o.<\/p>\n<p>De alimento \u00e0 moeda de troca, com o passar dos s\u00e9culos, os p\u00e3es conquistaram papel cada vez mais importante na sociedade e se tornaram indispens\u00e1veis. E, apesar da queda do Imp\u00e9rio Romano ter esfriado um pouco os fornos, a panifica\u00e7\u00e3o voltou com for\u00e7a total no s\u00e9culo 12.<\/p>\n<p>Padeiros italianos e franceses se destacaram com t\u00e9cnicas elaboradas e resultados cada vez mais irresist\u00edveis. Mas desde quando esse h\u00e1bito se tornou parte da vida dos brasileiros?<br \/>\n<b><span style=\"font-size: large;\"><br \/>\nOs imigrantes e o novo h\u00e1bito brasileiro<\/span><\/b><\/p>\n<\/div>\n<div><span style=\"font-size: large;\"><b><br \/>\n<\/b><\/span>A primeira tentativa de plantio de trigo no pa\u00eds foi feita por volta de 1530, com o portugu\u00eas Martim Afonso de Souza, mas n\u00e3o houve sucesso por alguns fatores, como o clima no Brasil, como explica Patrick Ambrogi, chef Boulanger, docente do Instituto Le Cordon Bleu S\u00e3o Paulo.\u201cO h\u00e1bito de consumo do brasileiro n\u00e3o era o trigo, n\u00e3o o t\u00ednhamos como produto aqui nas Am\u00e9ricas. Nossas bases de alimenta\u00e7\u00e3o eram outras, como batata e mandioca. Passaram-se quase 400 anos ap\u00f3s a primeira tentativa de plantio, at\u00e9 que essa rela\u00e7\u00e3o com o produto fosse retomada. O movimento migrat\u00f3rio de europeus para o Brasil foi fundamental para que isso acontecesse\u201d, diz Ambrogi, complementando ainda que a virada do s\u00e9culo 19 para o 20 foi o ponto-chave para essa rela\u00e7\u00e3o de consumo de p\u00e3o que temos hoje.<\/p>\n<p>\u201cA capacidade de plantio e o know how desses italianos, portugueses e espanh\u00f3is, entre outros, para transformar o trigo em farinha e posteriormente em p\u00e3o foi o come\u00e7o da inclus\u00e3o na rotina desse alimento de base\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>\u201cEra uma coisa vinda de fora. No fim da Primeira Guerra Mundial, os brasileiros tamb\u00e9m viajavam para Europa e traziam refer\u00eancias de bons produtos que queriam passar a consumir. O dom\u00ednio de t\u00e9cnicas desses imigrantes, j\u00e1 em solo brasileiro, colaborou para que tudo acontecesse dessa maneira\u201d, completa.<\/p>\n<p>Foram diversas padarias abertas por esses europeus, que deram o grande pontap\u00e9 para que esse mercado crescesse a cada ano. \u00c9 o caso da tradicional padaria paulistana Dona De\u00f4la, que come\u00e7ou sua hist\u00f3ria em 1949, quando Dona Deolinda, imigrante portuguesa rec\u00e9m-chegada ao Brasil, abriu a \u201cPadaria Do Lar\u201d em um pequeno pr\u00e9dio na esquina da avenida Pompeia, na zona oeste da cidade.<\/p>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-33704\" src=\"https:\/\/www.abip.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Captura-de-Tela-2022-03-04-a\u0300s-05.08.40.png\" alt=\"\" width=\"625\" height=\"446\" srcset=\"https:\/\/www.abip.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Captura-de-Tela-2022-03-04-a\u0300s-05.08.40.png 625w, https:\/\/www.abip.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Captura-de-Tela-2022-03-04-a\u0300s-05.08.40-300x214.png 300w\" sizes=\"(max-width: 625px) 100vw, 625px\" \/><\/div>\n<div>Com esp\u00edrito empreendedor e a ajuda do marido, Ant\u00f4nio Em\u00edlio, ela fez do lugar uma refer\u00eancia de qualidade na regi\u00e3o at\u00e9 1957, quando decidiu abrir outro neg\u00f3cio e vender o ponto. Trinta e oito anos depois, o im\u00f3vel, at\u00e9 ent\u00e3o alugado, voltou para as m\u00e3os da fam\u00edlia.Com o sobrado \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, os netos do casal fundador decidiram abrir uma nova padaria no local. Batizada em homenagem \u00e0 Dona Deolinda, a primeira loja da Dona De\u00f4la foi inaugurada com a presen\u00e7a da matriarca h\u00e1 25 anos.<\/p>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-33705\" src=\"https:\/\/www.abip.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Captura-de-Tela-2022-03-04-a\u0300s-05.09.16.png\" alt=\"\" width=\"673\" height=\"448\" srcset=\"https:\/\/www.abip.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Captura-de-Tela-2022-03-04-a\u0300s-05.09.16.png 673w, https:\/\/www.abip.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Captura-de-Tela-2022-03-04-a\u0300s-05.09.16-300x200.png 300w\" sizes=\"(max-width: 673px) 100vw, 673px\" \/><\/div>\n<div>Hoje est\u00e1 presente em cinco endere\u00e7os em S\u00e3o Paulo, por onde circulam em torno de 240 mil clientes todos os meses. A rede foi a respons\u00e1vel por introduzir servi\u00e7os e produtos que se tornaram s\u00edmbolos das grandes padarias paulistanas, como os buffets de caf\u00e9 da manh\u00e3 e de sopas no inverno, al\u00e9m de produtos pr\u00f3prios para ocasi\u00f5es especiais, como ovos de p\u00e1scoa e panetones.Na pandemia, conseguiu expandir ainda mais o seu neg\u00f3cio \u2013 conta com 800 funcion\u00e1rios no total. Abriu oito pontos de vendas, em hot\u00e9is, empresas e hospitais. Hoje, s\u00e3o 31 pontos que vendem n\u00fameros expressivos, incluindo o de 400 mil p\u00e3es franceses por m\u00eas.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>O mercado da panifica\u00e7\u00e3o<br \/>\n<\/b><\/span><br \/>\n<b>E falando em p\u00e3o franc\u00eas, segundo o Sindipan-MT, 76% dos brasileiros comem o tradicional p\u00e3ozinho no caf\u00e9 da manh\u00e3. De acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de Panifica\u00e7\u00e3o e Confeitaria (ABIP), s\u00e3o mais de 70 mil padarias espalhadas pelo Brasil.<\/b><\/p>\n<p>Em 2021, o mercado de panifica\u00e7\u00e3o e confeitaria faturou R$ 105,85 bilh\u00f5es no pa\u00eds, um crescimento de 15,3% em rela\u00e7\u00e3o a 2020, segundo o presidente da Associa\u00e7\u00e3o, Paulo Menegueli.<\/p>\n<p>\u201cMas como em todos os setores, o nosso de padarias teve de se adaptar rapidamente aos problemas causados pela pandemia. Fizemos uma readapta\u00e7\u00e3o, falamos a fundo sobre o que era ofertado, discutimos sobre precifica\u00e7\u00e3o e isso nos deu uma for\u00e7a grande. Claro que muitos sa\u00edram prejudicados e ainda sofrem com os efeitos desse per\u00edodo, mas todos se ajudam muito. De maneira geral, conseguimos crescer e estamos sempre discutindo a\u00e7\u00f5es que possam ajudar a fortalecer o nosso mercado como um todo\u201d, ressalta o presidente.<\/p>\n<p>Cerca de 2,5 milho\u0303es de trabalhadores fazem parte do setor de panificac\u0327a\u0303o, sendo 920 mil com empregos diretos e 1,6 milha\u0303o de profissionais indiretos, segundo dados de 2020. Estima-se que 41 milh\u00f5es de brasileiros entrem em padarias todos os dias para comprar p\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Texto de Tina Bini e Daniela Caravaggido\u00a0&#8211; Viagem &amp; Gastronomia (CNN Brasil)<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00e3o franc\u00eas, p\u00e3o de sal, p\u00e3o de \u00e1gua, carioquinha, p\u00e3o de trigo e at\u00e9 p\u00e3o \u201ccareca\u201d. S\u00e3o in\u00fameros os nomes encontrados Brasil afora s\u00f3 para um tipo de p\u00e3o \u2013 aquele vendido diariamente em padarias espalhadas pelo pa\u00eds. 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