{"id":1606,"date":"2016-06-22T17:51:57","date_gmt":"2016-06-22T19:51:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.abip.org.br\/site\/?p=1606"},"modified":"2016-06-22T18:40:36","modified_gmt":"2016-06-22T20:40:36","slug":"declaracao-de-posicionamento-da-sociedade-brasileira-de-alimentacao-e-nutricao-sobre-dieta-sem-gluten","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abip.org.br\/site\/declaracao-de-posicionamento-da-sociedade-brasileira-de-alimentacao-e-nutricao-sobre-dieta-sem-gluten\/","title":{"rendered":"Declara\u00e7\u00e3o de Posicionamento da Sociedade Brasileira de Alimenta\u00e7\u00e3o e Nutri\u00e7\u00e3o sobre Dieta sem Gl\u00faten"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Lucas Carminatti Pantale\u00e3o1, Olga Maria Silv\u00e9rio Amancio2, Marcelo Macedo Rogero<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">University of Cambridge Metabolic Research Laboratories and Department of Clinical Biochemistry, Institute of Metabolic Science,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Addenbrooke&#8217;s Hospital, Cambridge CB2 0QQ, UK.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Departamento de Pediatria, Escola Paulista de Medicina, Universidade de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo, Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Departamento de Nutri\u00e7\u00e3o, Escola de Sa\u00fade P\u00fablica, Universidade de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo, Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Resumo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Declara\u00e7\u00e3o de Posicionamento: A Sociedade Brasileira de Alimenta\u00e7\u00e3o e Nutri\u00e7\u00e3o (SBAN) baseia a seguinte declara\u00e7\u00e3o de posicionamento sob uma an\u00e1lise cr\u00edtica da literatura em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s indica\u00e7\u00f5es de uma dieta sem gl\u00faten (GF). 1. N\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia suficiente para assumir que os indiv\u00edduos saud\u00e1veis experimentariam quaisquer benef\u00edcios do consumo de uma dieta sem gl\u00faten (GF). 2. Estudos recentes sugerem que a sensibilidade ao gl\u00faten pode ser confundida com a sensibilidade \u00e0 baixa fermenta\u00e7\u00e3o e m\u00e1 absor\u00e7\u00e3o dos hidratos de carbono de cadeia curta, conhecidos como &#8211; \u00f3ligo, di, monossacar\u00eddeos e poli\u00f3is ferment\u00e1veis, FODMAPs. 3. Dados epidemiol\u00f3gicos sustentam que pessoas com doen\u00e7a cel\u00edaca (CD) e excesso de peso n\u00e3o apresentam perda de peso sob uma dieta sem gl\u00faten (GF). 4. Dados experimentais recentes mostraram poss\u00edveis efeitos delet\u00e9rios da dieta sem gl\u00faten (GF) sobre a microbiota intestinal em indiv\u00edduos saud\u00e1veis. 5. As dietas sem gl\u00faten (GF) podem ser saud\u00e1veis para a popula\u00e7\u00e3o em geral, desde que a retirada dos alimentos processados sem gl\u00faten (GF na sigla em ingl\u00eas) seja compensada pela ingest\u00e3o de outros gr\u00e3os integrais, e de hortali\u00e7as de baixa densidade energ\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Palavras-chave: dieta sem gl\u00faten; FODMAPs, doen\u00e7a cel\u00edaca; sensibilidade ao gl\u00faten.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Contexto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre as sociedades ocidentais, a Nutri\u00e7\u00e3o tem emergido como um dos campos mais importantes e atraentes da ci\u00eancia biom\u00e9dica. As incid\u00eancias de obesidade e doen\u00e7as cr\u00f4nicas cada vez mais altas, juntamente com o crescente interesse por padr\u00f5es est\u00e9ticos, s\u00e3o provavelmente as principais raz\u00f5es do porqu\u00ea, mesmo pessoas n\u00e3o especializadas (que anteriormente n\u00e3o estavam preocupadas com o assunto) estejam se tornando &#8220;especialistas&#8221; em sa\u00fade geral e estrat\u00e9gias est\u00e9ticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entendemos que a busca pelo conhecimento nesta \u00e1rea seja extremamente \u00fatil; pois, para serem eficazes, tanto a promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, como a educa\u00e7\u00e3o nutricional, dependem da sensibiliza\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. No entanto, em raz\u00e3o da ampla divulga\u00e7\u00e3o pela m\u00eddia, pontos de venda, comerciantes e fabricantes de produtos aliment\u00edcios, observa-se um aumento da ades\u00e3o a novas &#8220;dietas da moda&#8221;, que s\u00e3o baseadas em interven\u00e7\u00f5es restritivas objetivando a perda de peso e a melhoria da sa\u00fade geral, mas que, geralmente, s\u00e3o fundamentadas em observa\u00e7\u00f5es emp\u00edricas ou em estudos incompletos e ou inconclusivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguindo essa tend\u00eancia de dietas restritivas e mon\u00f3tonas, temos observado a populariza\u00e7\u00e3o de um padr\u00e3o alimentar anteriormente aceito como um tratamento para a doen\u00e7a cel\u00edaca (CD) e alergia ao trigo (WA), caracterizado pela exclus\u00e3o do gl\u00faten da dieta dos pacientes (a.k.a. dieta sem gl\u00faten \u2013 dieta GF) [1-2].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A doen\u00e7a cel\u00edaca<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pacientes cel\u00edacos carregam uma muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica que conduz \u00e0 inflama\u00e7\u00e3o do intestino ap\u00f3s o contato com os pept\u00eddeos origin\u00e1rios da digest\u00e3o do gl\u00faten do trigo, centeio ou cevada. A gliadina (um dos pept\u00eddeos mais comuns encontrados no gl\u00faten) \u00e9 transportada para a lamina propria na parede do intestino, induzindo uma resposta imune do tipo Th1 e Th2. Como resultado da resposta Th1, os linf\u00f3citos T secretam um padr\u00e3o de citocinas que desempenham papel importante na atrofia das vilosidades e na hiperplasia das c\u00e9lulas criptas intestinais. Al\u00e9m disso, a resposta Th2 estimula as c\u00e9lulas \u00df a amadurecer as c\u00e9lulas plasm\u00e1ticas secretoras de anticorpos, que produzem anticorpos de IgA contra o complexo gliadina, transglutaminase e gliadina-transglutaminase [3]. A altera\u00e7\u00e3o morfol\u00f3gica que resulta na borda em escova leva a uma absor\u00e7\u00e3o deficiente tipicamente observada em pacientes com doen\u00e7a cel\u00edaca [4-6].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Apresenta\u00e7\u00e3o cl\u00ednica<\/strong><\/p>\n<p>Existem tr\u00eas formas cl\u00ednicas principais da doen\u00e7a cel\u00edaca: doen\u00e7a cel\u00edaca cl\u00e1ssica com sintomas t\u00edpicos, doen\u00e7a cel\u00edaca at\u00edpica e doen\u00e7a cel\u00edaca assintom\u00e1tica ou silenciosa [7].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A doen\u00e7a cel\u00edaca cl\u00e1ssica \u00e9 caracterizada por diarreia cr\u00f4nica, geralmente com distens\u00e3o abdominal e perda de peso. Estes sintomas s\u00e3o frequentemente associados com perda de gordura subcut\u00e2nea, atrofia dos m\u00fasculos dos gl\u00fateos, anorexia, instabilidade emocional (irritabilidade ou apatia), v\u00f4mitos e anemia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na forma at\u00edpica, os sintomas gastrointestinais est\u00e3o completamente ausentes em aproximadamente 40% dos indiv\u00edduos afetados. No entanto, os pacientes apresentam manifesta\u00e7\u00f5es relevantes extra intestinais, tais como, baixa estatura, defici\u00eancia de ferro, anemia resistente ao tratamento oral com ferro, vitamina B12 ou anemia por defici\u00eancia de folato, osteoporose, baixa forma\u00e7\u00e3o do esmalte do dente, artrite, constipa\u00e7\u00e3o intestinal resistente ao tratamento, puberdade atrasada, esterilidade, abortos recorrentes, transtornos psiqui\u00e1tricos (depress\u00e3o, autismo e esquizofrenia), ulcera\u00e7\u00e3o aftosa recorrente, enzimas hep\u00e1ticas elevadas, perda de peso e fraqueza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A forma assintom\u00e1tica \u00e9 caracterizada pela comprova\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de anticorpos e bi\u00f3psia anatomopatol\u00f3gica do intestino delgado na aus\u00eancia de sintomas da doen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><br \/>\nDiagn\u00f3stico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como regra geral, atualmente a sorologia e investiga\u00e7\u00f5es histol\u00f3gicas confirmam o diagn\u00f3stico na maioria dos pacientes. Os anticorpos mais importantes s\u00e3o os anticorpos antigliadina, anticorpos antiendom\u00edsio, antitecido da transglutaminase tipo-2, e gliadina antidesamidada [7]. Al\u00e9m disso, \u00e9 importante realizar a bi\u00f3psia do intestino delgado para obter pelo menos quatro fragmentos do duodeno distal [7-9].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><br \/>\nSensibilidade n\u00e3o cel\u00edaca ao gl\u00faten<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de doen\u00e7a cel\u00edaca (CD), v\u00e1rias evid\u00eancias recentes resumidas por Mansueto et al. [10] e por Czaja-Bulsa et al. [11] sustentam a exist\u00eancia de uma &#8220;sensibilidade n\u00e3o cel\u00edaca ao gl\u00faten&#8221; (NCGS). Em contraste com o que acontece na doen\u00e7a cel\u00edaca (CD), os pacientes com sensibilidade n\u00e3o cel\u00edaca ao gl\u00faten (NCGS) exibem a permeabilidade da barreira intestinal preservada, sem altera\u00e7\u00f5es histol\u00f3gicas epiteliais graves, mas ainda mostram outras numerosas perturba\u00e7\u00f5es, incluindo uma pequena infiltra\u00e7\u00e3o de linf\u00f3citos, e inflama\u00e7\u00e3o do intestino, quando expostos a uma dieta rica em gl\u00faten. No entanto, a sensibilidade n\u00e3o cel\u00edaca ao gl\u00faten (NCGS) ainda \u00e9 uma quest\u00e3o de debate. Pesquisadores da Universidade de Monash, na Austr\u00e1lia, em 2011 relataram que o efeito positivo da dieta sem gl\u00faten em pacientes com sensibilidade n\u00e3o cel\u00edaca ao gl\u00faten (NCGS) n\u00e3o pode ser totalmente explicada pelo efeito placebo [12]. Biesiekierski et al. mostraram que a s\u00edndrome do intestino irrit\u00e1vel (IBS) com sintomas de sensibilidade n\u00e3o cel\u00edaca ao gl\u00faten (NCGS) foi mais frequente no grupo tratado com gl\u00faten (68%) do que em indiv\u00edduos que receberam placebo (40%) [12]. Apesar disso, num segundo estudo, com uma metodologia mais rigorosa, Biesiekierski et al. mostraram que n\u00e3o houve efeito do gl\u00faten em indiv\u00edduos com sensibilidade n\u00e3o cel\u00edaca ao gl\u00faten (NCGS), sugerindo que a sensibilidade ao gl\u00faten pode ser confundida pela sensibilidade \u00e0 baixa fermenta\u00e7\u00e3o e m\u00e1 absor\u00e7\u00e3o dos carboidratos de cadeia curta, conhecidos como \u00f3ligo, di, monossacar\u00eddeos e poli\u00f3is ferment\u00e1veis (FODMAPs ) [13]. Os FODMAPs poderiam contribuir para os sintomas da sensibilidade n\u00e3o cel\u00edaca ao gl\u00faten (NCGS), pelo menos, aos relacionados com a s\u00edndrome do intestino irrit\u00e1vel (IBS) [13]. Embora, os FODMAPS sejam encontrados em gr\u00e3os que cont\u00eam gl\u00faten, tais como: trigo, cevada e centeio, tamb\u00e9m podem ser encontrados em produtos aliment\u00edcios sem gl\u00faten, incluindo br\u00f3colis, alho, cebola, ma\u00e7\u00e3 e abacate. Peter Gibson, professor de gastroenterologia da Universidade Monash da Austr\u00e1lia e chefe deste grupo de pesquisa, disse a respeito das cr\u00edticas recebidas por mudar sua opini\u00e3o sobre a sensibilidade ao gl\u00faten , &#8220;s\u00f3 produzimos mais dados, s\u00f3 procuramos a verdade e a verdade \u00e9 que apenas arranhamos a superf\u00edcie&#8221; [14].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tratamento<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Independentemente da condi\u00e7\u00e3o cl\u00ednica da doen\u00e7a cel\u00edaca, da alergia ao trigo ou da sensibilidade n\u00e3o cel\u00edaca ao gl\u00faten (CD, WA ou NCGS), a terapia b\u00e1sica para pacientes com sensibilidade ao gl\u00faten inclui a exclus\u00e3o de prepara\u00e7\u00f5es contendo trigo, cevada, centeio e malte. Al\u00e9m disso, a aveia tamb\u00e9m deve ser exclu\u00edda porque normalmente \u00e9 contaminada com trigo. Mesmo se confirmada sua pureza, se ela for introduzida na dieta, deve haver um acompanhamento cuidadoso para monitorar os sinais de reca\u00edda cl\u00ednica e sorol\u00f3gica [15,16]. Existe alguma evid\u00eancia de que um pequeno n\u00famero de pacientes com doen\u00e7a cel\u00edaca (CD) possa ser intolerante \u00e0 aveia pura e desenvolver uma resposta imunol\u00f3gica \u00e0s aveninas da aveia. Isso pode estar relacionado \u00e0 varia\u00e7\u00e3o na toxicidade dos cultivares de aveia [15,16].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fabricantes de alimentos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Curiosamente, desde 2004, as vendas de produtos sem gl\u00faten v\u00eam crescendo em torno de 30% ao ano, apesar de n\u00e3o ter havido nenhum aumento correspondente na incid\u00eancia da alergia ao gl\u00faten, e nem mais cuidados generalizados rigorosos dos pacientes. Este aumento exponencial parece ser devido a maior procura criada pela ades\u00e3o dos indiv\u00edduos n\u00e3o sens\u00edveis \u00e0 dieta sem gl\u00faten [2,17].<br \/>\nDe acordo com estes indiv\u00edduos, a principal raz\u00e3o para usar produtos sem gl\u00faten (GF) \u00e9 a premissa de que eles s\u00e3o mais saud\u00e1veis em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas contrapartes convencionais, ajudando na perda de peso e melhorando as condi\u00e7\u00f5es patol\u00f3gicas e o desconforto gastrointestinal. Esta premissa tem sido apoiada e explorada pelos fabricantes de alimentos e pode ter levado a um aumento do consumo de produtos sem gl\u00faten (GF) processados, que foram comumente relatados como nutricionalmente pobres [18].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recomenda\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessa forma, apesar da sens\u00edvel melhora em pacientes com doen\u00e7a cel\u00edaca (CD), n\u00e3o h\u00e1 provas suficientes para supor que os indiv\u00edduos saud\u00e1veis experimentariam quaisquer benef\u00edcios do consumo de uma dieta sem gl\u00faten (GF). Estudos recentes tamb\u00e9m relatam que a sensibilidade ao gl\u00faten pode ser confundida por sensibilidade aos FODMAPs . Em rela\u00e7\u00e3o ao equil\u00edbrio do peso, por exemplo, dados epidemiol\u00f3gicos sustentam que os indiv\u00edduos com doen\u00e7a cel\u00edaca (CD) com excesso de peso ainda n\u00e3o exibem perda de peso sob uma dieta sem gl\u00faten (GF) [19]. De acordo com um estudo com crian\u00e7as em idade escolar [20], h\u00e1 um aumento no \u00cdndice de Massa Corporal (IMC) e na preval\u00eancia de obesidade entre as crian\u00e7as cel\u00edacas ap\u00f3s a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 dieta sem gl\u00faten (GF).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante notar que as dietas sem gl\u00faten (GF) s\u00e3o frequentemente pobres em cereais integrais e fibras, ingest\u00e3o que \u00e9 inversamente proporcional ao IMC [21]. Isto pode explicar parcialmente a fonte do aumento de peso relatado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade gastrointestinal, dados experimentais recentes mostraram poss\u00edveis efeitos delet\u00e9rios da alimenta\u00e7\u00e3o sem gl\u00faten (GF) sobre a microbiota intestinal em indiv\u00edduos saud\u00e1veis [22]. Por causa da exclus\u00e3o de alimentos que cont\u00e9m trigo, houve diminui\u00e7\u00e3o significativa na propor\u00e7\u00e3o das bact\u00e9rias intestinais boas e nocivas nas fezes de 10 adultos jovens, um resultado provavelmente relacionado \u00e0 menor ingest\u00e3o de oligofrutose e inulina, dois tipos de fibras sol\u00faveis essenciais \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de uma flora microbiana saud\u00e1vel [22-23]. Devido ao seu efeito prebi\u00f3tico, pode-se mesmo afirmar que a ingest\u00e3o de farinha de trigo integral por indiv\u00edduos n\u00e3o sens\u00edveis ao gl\u00faten contribui para a redu\u00e7\u00e3o no risco de c\u00e2ncer de intestino, doen\u00e7as inflamat\u00f3rias, dislipidemias e doen\u00e7as cardiovasculares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, fica tamb\u00e9m importante notar que as dietas sem gl\u00faten (GF) podem ser saud\u00e1veis para a popula\u00e7\u00e3o em geral, desde que a retirada dos alimentos processados sem gl\u00faten (GF) seja compensada pela ingest\u00e3o de outros gr\u00e3os integrais, e de hortali\u00e7as de baixa densidade energ\u00e9tica. Isto n\u00e3o significa, no entanto, implicar que a retirada do gl\u00faten seja respons\u00e1vel por qualquer um dos poss\u00edveis benef\u00edcios observados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, reafirmamos que a falta de evid\u00eancias cient\u00edficas s\u00f3lidas, juntamente com alguns dados epidemiol\u00f3gicos, sugerem que a exclus\u00e3o do gl\u00faten, por si s\u00f3, provavelmente, n\u00e3o melhora a condi\u00e7\u00e3o geral de indiv\u00edduos saud\u00e1veis, e que o planejamento err\u00f4neo pode afetar at\u00e9 mesmo negativamente a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<strong>Conclus\u00f5es<\/strong><br \/>\n&#8211;\u00a0 N\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia suficiente para assumir que os indiv\u00edduos saud\u00e1veis experimentariam todos os benef\u00edcios do consumo de uma dieta sem gl\u00faten (GF).<br \/>\n&#8211;\u00a0 Estudos recentes sugerem que a sensibilidade ao gl\u00faten pode ser confundida com a sensibilidade \u00e0 baixa fermenta\u00e7\u00e3o e m\u00e1 absor\u00e7\u00e3o dos carboidratos de cadeia curta conhecidos como \u00f3ligo, di, mono ssacar\u00eddeos e poli\u00f3is ferment\u00e1veis (FODMAPs).<br \/>\n&#8211;\u00a0 Dados epidemiol\u00f3gicos apoiam que indiv\u00edduos com doen\u00e7a cel\u00edaca (CD) e excesso de peso n\u00e3o exibem perda de peso sob uma dieta sem gl\u00faten (GF).<br \/>\n&#8211;\u00a0 Dados experimentais recentes mostraram poss\u00edveis efeitos delet\u00e9rios da alimenta\u00e7\u00e3o sem gl\u00faten (GF) sobre a microbiota intestinal de indiv\u00edduos saud\u00e1veis.<br \/>\n&#8211;\u00a0 Dietas sem gl\u00faten (GF) podem ser saud\u00e1veis para a popula\u00e7\u00e3o em geral, desde que a retirada dos alimentos processados sem gl\u00faten (GF) seja compensada pela ingest\u00e3o de outros gr\u00e3os integrais, e de hortali\u00e7as de baixa densidade energ\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><br \/>\n[1] Gaesser GA, Angadi SS. 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