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Indústria x varejo: perspectivas sob diferentes aspectos




Por: José Mário Oliveira - Consultor Propan


O Setor Industrial

A crise internacional tem afetado todos os setores da economia brasileira ocasionando uma redução dos investimentos a partir de meados do ano passado. Conforme sondagem da CNI/FIESP com 220 empresas, no último trimestre de 2008, apenas 52%, realizaram seus investimentos conforme o planejado para o ano passado. Projetos realizados parcialmente representaram 35,5% e 11% postergaram seus investimentos.




Fonte: CNI/Fiesp


Dentre as razões citadas para adiamento de investimentos, a incerteza econômica foi campeã obtendo 60,6% das respostas. O custo do crédito e a reavaliação da demanda obtiveram, igualmente, 18,1%. No final de 2007, dentre as atividades planejadas, a expansão da produção era apontada em primeiro lugar por 60% das empresas pesquisadas. Em sondagem no final de 2008, o investimento nesta área caiu para quarto lugar e foi citado apenas por 30% das empresas.




Fonte: CNI/Fiesp


Por outro lado, alguns empresários vêem a palavra crise como oportunidade. Na empresa Pepsico, com 9.000 funcionários não se menciona esta palavra. Lá a palavra de ordem é estar sempre alerta e não se acomodar quando as coisas parecem fáceis. Eles vêem as ameaças como motivo para acompanhamento da situação atual. Como exemplo, no dia 31 dezembro de 2007 um incêndio destruiu 36% da capacidade produtiva da Pepsico, e, mesmo assim, conseguiram bater as metas de 2008.

Outro exemplo de quem vê oportunidade com a crise é a Livraria Saraiva. Com 2.400 funcionários, a empresa notou que quando os consumidores desistiram de comprar bens materiais, sobrou dinheiro para o investimento em lazer, como livros. No ano de 2007 fizeram 538 ações de treinamento e para 2009 prevêem superar 3.000 ações. Eles acreditam que quem faz a diferença no negócio deles é o atendente. Para os próximos meses, estão prevendo uma queda do emprego e rendimento dos consumidores, então, o melhor atendimento será o diferencial.


 

O Setor de Varejo


O setor de varejo parece imune a crise. Observando o gráfico abaixo, em uma análise comparativa entre o PIB nacional e o crescimento do varejo, desde o ano de 1981, podemos notar que mesmo com PIB negativo o setor varejista não deixou de apresentar números positivos. Alguns economistas acreditam que o setor apresenta uma característica de blindagem contra alterações. Não ganha muito em momentos de euforia e nem perde muito em tempos de vacas magras. As projeções para o setor é de um crescimento de 7% se o PIB atingir a casa dos 1,8% no final de 2009. Inicialmente, o PIB para 2009 era de 4,5%. O setor acredita neste número para um PIB em torno de 2,0%. No mês de fevereiro o ISE (índice sentimental dos economistas), uma escala de Zero a 200, cresceu mais de um ponto percentual ficando acima de 73%, pode parecer pouco, mas já é um bom indício de recuperação econômica.





 

O varejo tradicional: padarias


O varejo tradicional representado pelas padarias tende a crescer junto com os supermercados. O pão francês, principal item do faturamento das padarias, é considerado uma comoditie e suas vendas como outros produtos da cesta básica de nossa alimentação não sofrem com as alterações econômicas. Em 2008 a MR & Associados, empresa gestora do Propan, apurou um crescimento das vendas do setor de panificação de 11,04%. Já para as empresas que participaram do Programa de Apoio à Panificação o resultado foi de 13,8%.

No Brasil, mais de quatro mil padarias já realizaram o treinamento do Propan, este é um esforço que conta com o apoio do SEBRAE e da Abip (Associação Brasileira da Indústria da Panificação Confeitaria), isto representa apenas 6,45% do total de padarias existentes. Os órgãos de classe, junto com as entidades ligadas ao setor, como SEBRAE nacional e os estaduais, sindicatos e associações também têm contribuído para levar novas tecnologias e conhecimento aos panificadores.

Um dos fatores que demonstram o otimismo dos empresários é com relação aos investimentos realizados. Estes investimentos são: ampliação das áreas de atendimento, áreas de produção, novos equipamentos e sistemas de informações. Como exemplo, citamos o grupo com 20 padarias atendidas pelo Propan na cidade de Natal/RN, onde 40% estavam investindo em estrutura física e 60% estavam implantando o sistema SAT (Sistema de administração total) para melhorar os controles internos. Em Belo Horizonte/MG, as padarias Pão da Serra, Vianney, La Baguette, estão passando por investimentos em layout e a Trigopane acaba de inaugurar uma filial no bairro Sion. Estes vêem a crise como oportunidade para crescimento.


* José Mário - Consultor do PROPAN desde 2006 atuando nas áreas administrativa, financeira e estratégica - na elaboração de estudos para a consultoria Márcio Rodrigues & Associados. Graduado em ciências contábeis, MBA em Gestão Empresarial pela AIEC/FIEMG e MBA em Controladoria e Finanças pela FUCAPE/ES. Pelo McDonald’s cursou o AOC- Advanced Operations Course na HU - Hamburger University – Chicago - EUA . Experiência profissional em empresas como Ambev, Schincariol, Coca-Cola, McDonalds, com passagem pela loja de Setúbal/Portugal e Minascaixa. Autor de artigos para a Revista Tecnopan da ABIP.
 




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